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domingo, 12 de novembro de 2006


TRIGÉSIMO OITAVO CANTO

A inconstância colocou-me de joelhos.

Daqui, na beira do precipício, repetidas vozes chegam junto ao
vento, são como anjos falando em línguas estranhas.

Suaves sussurros abraçando os ouvidos.
Confusão na mente.
Busco a compreensão
Suaves sussurros na beira de um abismo colossal

O vento traz essa toada.
- Cante a vida Pierrot, cante a vida apaixonadamente.

Silenciei-me e fiquei ali
Ferido...

FIM





...E no final, morrer no nordeste, junto ao mar, ouvindo um cantador de cordel.



Para a menina Angela, combustível para minha prosapoesia;
Para Jean pierrot, um jovem rolo de cinema voraz e cheio de poesia; para os que não se rendem, os jovens tristes que habitam o salão de festas.


:: Enviado por Fabio Santiago - 16:16:04 ::
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TRIGÉSIMO SÉTIMO CANTO

As ruas eram telas de cinema e meu caminho eram fotogramas de Hitchcock, o meu sangue, esse,
era um rolo a 24 quadros por segundo.

Mergulho na xícara de café com a corda hasteada, próxima de meu pescoço.

A poesia do amor havia sido assassinada pela realidade, o fracasso e a angustia haviam carcomido tudo...
Eu também morria naquela tarde e nem o amor poderia me ouvir.

Arde o peito

:: Enviado por Fabio Santiago - 16:08:23 ::
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TRIGÉSIMO SEXTO CANTO

BRIGITTE BARDOT




Apenas contemplação

:: Enviado por Fabio Santiago - 15:56:13 ::
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TRIGÉSIMO QUINTO CANTO

Entro no Bar transtornado
Homúnculos por toda parte, velando-me num funeral multicor.

Cinestesia no olhar,

Encosto-me no balcão e observo.
As pernas trepidam.

Eu também estava morrendo, como meu velho amigo de outrora, como as minhas paisagens remotas...
A falência do olhar, a cegueira, a angustia de não conseguir enxergar leva-me ao desespero,
o foco se perde, as letras não assimiladas, a morte na escuridão.

Eclipsou o sol e tudo virou tormenta, Cortar a orelha de Van Gogh e absorver o misticismo,
Solidão, Eustache na Tela grande e seus filmes que eu não vi, verso único, cortante,
perfurações no pescoço, a bala que perfura o crânio, abalos sísmicos, vestígios em seda.

Canto o amor por ela, não tenho o brilho das estrelas e nem consigo seduzir como a lua,
a luz que me faz não enxergar, a loucura tomando a face, violinos colocam-me na estrada,
a loucura corta a minha garganta, fezes nos dedos, câncer no anus, olhos de sangue.

Não me deixe sozinho hoje




:: Enviado por Fabio Santiago - 15:43:10 ::
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TRIGÉSIMO QUARTO CANTO

Poeira nos olhos e mais um dia no bar

A barba cerra o rosto
A lua tão branca a me observar

- Dona lua, abra meus caminhos.
Que eu tenha o machado para poder construir a base de tudo, a espada para o bom combate, a chave para abrir todas as portas, a lua ou seja a senhora para poder trazer o novo, fazer crescer, velar meu sono e proteger-me, enfim, que eu tenha a santíssima trindade também no peito e no coração...Nesse colar de contas, mostra-me o caminho.
Ela responde
- A vida é para profissionais, não para amadores.

Coloco-me junto ao abismo, nas primeiras horas do dia.




:: Enviado por Fabio Santiago - 15:39:49 ::
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TRIGÉSIMO TERCEIRO CANTO

Amar é sorvete de rum com passas, é jogo da liga americana de basquete, é um filme de Alain Resnais,
a mangaba nos lábios, o litro de gin, as águas da praia, o sorriso do cachorro.

Quando sua pele está mais luzidia e os caminhos se abrem
Todos os que nunca falaram contigo tentam aproximar-se e absorver sua alma...
Vampiros do mal, Vermes, inúteis...

Abaixo sua calcinha
deixando-a no meio das pernas

Aurora
Ventre molhado
Rubro




:: Enviado por Fabio Santiago - 15:37:33 ::
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TRIGÉSIMO SEGUNDO CANTO

Resolvo falar de meu amor proibido, não correspondido,
platônico; Enquanto folhas de ipês decoram a rua,
enquanto o sol surge.

Agora é ela quem ouve o meu trovão.
- acredita em amor à primeira vista?? Sei, parece piegas, me diga, acredita??
Ela responde
- não sei o que dizer, assim, da forma como fala.
Continuo minha toada
- desde quando te vi, celebro a sua existência.
Ela sorri timidamente
Continuo enfático
- sente meu amor sincero minha colombina.

De frente a igreja, um beijo iluminado, sua saliva ali
caminhando por meu corpo, espuma das águas, mangaba celestial.

Ela diz que estava ficando com o outro e que o beijo no outro talvez fosse um erro...
Que o outro era apenas outro que sucumbia de amor, mas que nada existia de concreto,
nem com ele e nem comigo é claro.




:: Enviado por Fabio Santiago - 15:27:59 ::
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TRIGÉSIMO PRIMEIRO CANTO

Ela e sua voz desentoada, bela mais uma vez ao meu olhar.
- Era você quem sempre me observava da frente desse bar e que me viu beijando um rapaz dias atrás não é??
Fico em silêncio mortal, ouvindo a Colombina.
Ela continua
- Desculpe por não ter falado contigo quando passei por aqui
certa vez, mas não te conhecia. Por isso não lhe falei também que poderia ter outro.
Continuo ali, reduzido a nada.
Mais uma vez ela
- Fiquei muito preocupada quando lhe vi daquele jeito??
Ela referia-se ao dia do beijo, quando fiquei tão mal que não conseguia me encontrar...
Lembro dela, um borrão, olhando com olhos caridosos para o leproso.
Olho dentro dos seus olhos e falo:
- quer beber alguma coisa??
Ela contundente diz.
- vamos sair daqui.



:: Enviado por Fabio Santiago - 15:24:49 ::
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TRIGÉSIMO CANTO

Ela me viu ali parado, sua voz rompe o bar, mas eu apenas respiro.

Cinestesia no olhar

Era eu o impopular, quando falava, quando escrevia, quando te olhava.

Toadas velando o amor, declarando as rosas murchas à insônia.



:: Enviado por Fabio Santiago - 15:16:39 ::
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VIGÉSIMO NONO CANTO

Caminho lento até a entrada do bar, uma aliteração...Amiúde.
Entre versos e rimas, um bando de homúnculos correndo de gole em gole, cadeiras lotadas, copos no balcão.
O caos nas minhas lembranças sonoras.

- Está de volta Pierrot??
Grita um velho desenho

O sucumbir do sentimento
Assassino o amor com os olhos marejados

Bloco calado, sem música e carnaval.
O pierrô ferido, um grilo em silêncio, a moléstia.










:: Enviado por Fabio Santiago - 15:13:14 ::
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VIGÉSIMO OITAVO CANTO

No tempo da doença ficava ali, encoberto no lençol, o rosto para baixo e a morte comendo ópio ao meu lado,
sem ao menos dividir as papoulas.

Para os últimos dias de um doente, todos amores na beleza de minha amada,
todos excessos, o sabor das carnes, das saborosas refeições, o perfume dos girassóis...

A colombina e o arlequim matando o jovem Pierrô.

:: Enviado por Fabio Santiago - 15:06:05 ::
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VIGÉSIMO SÉTIMO CANTO

A flauta toca na tarde de sol, eu um sátiro sigo com o fallo ereto, perseguindo as ninfas pela cidade, ébrio,
busco nas fendas, nas ruelas, nas veredas as suas formas...Bundas, rostos, seios, pernas, formas...
A serpentina leva o jovem pierrô às veredas da retidão, encontro minha ninfa de cordel...
Colombina nos braços de um arlequim
Desgraço as formas.

O arlequim mancha meu carnaval.

triste
Luto ao amor

Ela vira um borrão para meus olhos apaixonados

Choque anafilático





:: Enviado por Fabio Santiago - 15:02:37 ::
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VIGÉSIMO SEXTO CANTO

Um traço minimalista
Chuva sobre o concreto e um sono de matar.

Cinestesia no olhar.

O azul na distancia das serras
Serra do mar

:: Enviado por Fabio Santiago - 14:50:56 ::
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sábado, 14 de outubro de 2006


VIGÉSIMO QUINTO CANTO

Caminho pela estrada do ouro e do pó, imaculada.
Jovem Mastroianni.

Ela passa por meus olhos e eu só consigo acender o
Cigarro, alvejar suas formas, amargar a língua.

Ela passa por meus pensamentos
Aurora boreal, gás de fogão, fita crepe.

:: Enviado por Fabio Santiago - 23:25:57 ::
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